sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mapa da violência


O progressivo agravamento da violência no tráfego das vias públicas levou as Nações Unidas a nomear a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011/2020, procurando estabilizar e, posteriormente, reduzir as cifras de vítimas previstas, mediante a formulação e implementação de planos nacionais, regionais e mundial. E não era para menos. Os números apresentados pela Organização Mundial da Saúde para a formulação dessa resolução são estarrecedores, indicativos de uma real pandemia. Só no ano de 2009, aconteceram perto de 1,3 milhão de mortes por acidentes de trânsito em 178 países do mundo. Se nada for feito, a OMS estima que deveremos ter 1,9 milhão de mortes no trânsito em 2020 e 2,4 milhões em 2030. Entre 20 e 50 milhões sobrevivem com traumatismos e feridas. Os acidentes de trânsito representam a 3ª causa de mortes na faixa de 30-44 anos; a 2ª na faixa de 5-14 e a 1ª na faixa de 15-29 anos de idade.
A OMS estima que, na atualidade, 90% dessas mortes acontecem em países com ingressos baixos ou médios que, em conjunto, possuem menos da metade dos veículos do mundo. E vai ser precisamente nesses países que as previsões da OMS indicam que a situação se agravará muito mais ainda, em função de um esperado aumento nos índices de motorização desses países, sem equivalentes investimentos na segurança das vias públicas. Atualmente, esses acidentes já representam um custo global US$ 518 bilhões/ano. Dadas a relevância e a magnitude do problema, julgamos necessário realizar um estudo complementar específico sobre o tema e divulgá-lo separadamente. Mas diferentemente dos mapas anteriores, no presente estudo focalizaremos na mortalidade de motociclistas, por dois motivos centrais:
• No Mundo: como aponta o documento das Nações Unidas, perto da metade das vítimas de acidentes de trânsito no mundo são as denominadas categorias vulneráveis: pedestres, ciclistas e motociclistas. Essa proporção é ainda maior nos países de ingressos médios e baixos, pela maior densidade dessas categorias.
• No Brasil: no ano de 2010, exatos 2/3 – 66,6% – das vítimas do trânsito foram pedestres, ciclistas e/ou motociclistas. Mas as tendências nacionais da última década estão marcando uma evolução extremamente diferencial: significativas quedas na mortalidade de pedestres; manutenção das taxas de ocupantes de automóveis; leves incrementos nas mortes de ciclistas e violentos aumentos na letalidade de motociclistas. No país, as motocicletas transformaram-se no ponto focal do crescimento da mortalidade nas vias públicas.




Tabela 5.2. Taxas de óbitos (em 100 mil habitantes) por acidentes de trânsito. Brasil, 2000/2010.*
                2000
 2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010*
Δ %
Acre
15,8
17,4
18,7
16,6
13,8
14,3
11,7
14,2
16,6
16,8
18,3
15,7

Ama
19,7
22,5
23,4
21,7
21,2
18,3
19,5
15,7
14,8
16,8
17,9
-9,0

Amazonas
11,5
9,1
10,2
10,3
11,4
11,9
12,7
10,6
11,2
10,8
13,5
16,9

Pará
10,3
11,3
12,5
13,0
12,8
13,9
14,2
14,8
15,3
13,7
17,9
73,2

Rondônia
22,9
20,8
23,8
25,4
23,0
21,9
26,6
22,3
30,3
32,5
38,9
69,9

Roraima
33,9
37,1
40,1
23,0
19,0
26,6
27,3
34,7
29,3
29,4
32,4
-4,4

Tocantins
27,7
27,2
29,0
29,8
36,9
28,0
26,6
32,1
35,6
34,2
38,2
37,8

Norte
14,7
14,6
16,1
15,9
16,3
16,1
16,7
16,7
18,0
17,4
21,2
44,5

Alagoas
19,7
19,3
20,4
17,8
19,3
19,7
19,0
21,7
19,2
21,5
25,6
30,2

Bahia
9,2
9,1
9,9
9,7
9,7
12,9
12,5
13,8
12,0
13,0
16,1
75,1

Cea
16,6
17,9
19,6
20,1
21,3
21,3
20,3
20,2
20,0
18,1
23,8
43,5

Maranhão
7,8
8,7
11,2
11,3
12,6
14,7
13,5
16,2
18,2
17,5
19,3
149,2

Paraíba
11,5
12,2
18,7
15,1
18,0
18,1
19,3
19,2
21,3
20,9
22,2
93,5

Pernambuco
18,1
16,7
18,4
17,1
17,1
16,8
17,0
16,8
17,7
20,0
21,8
20,5

Piauí
15,8
15,3
18,5
18,5
19,8
21,4
25,7
25,4
26,7
29,2
33,4
111,2

Rio Grande do Norte
16,4
14,8
14,7
13,3
14,7
15,2
15,9
15,3
14,9
16,0
18,8
14,6

Sergipe
19,9
19,7
23,3
21,3
23,6
19,7
18,7
21,7
23,8
26,4
30,5
53,4

Nordeste
13,7
13,6
15,5
14,8
15,7
16,8
16,7
17,5
17,5
18,2
21,4
56,8

Espírito Santo
27,0
26,9
29,6
26,4
26,5
25,7
27,2
29,7
31,0
27,6
32,1
19,0

Minas Gerais
12,6
14,3
15,4
16,3
18,0
18,0
19,0
19,5
20,2
19,9
20,6
64,3

Rio de Janeiro
18,0
18,7
19,2
19,0
19,3
19,0
19,9
17,3
16,5
14,7
14,4
-20,4

São Paulo
16,1
18,3
16,7
18,1
17,9
17,7
17,3
17,8
18,3
16,8
16,8
4,3

Sudeste
16,1
17,8
17,5
18,2
18,6
18,4
18,7
18,6
18,9
17,6
17,9
11,4

Paraná
25,8
25,8
26,8
28,2
31,2
29,4
28,6
30,4
30,4
29,8
32,9
27,3

Rio Grande do Sul
18,4
17,2
20,0
19,1
19,7
18,5
17,7
17,2
18,5
18,6
20,9
13,5

SantaCatarina
27,9
28,6
30,1
29,9
32,0
32,1
32,8
31,8
30,6
29,9
29,6
5,8

Sul
23,3
22,9
24,7
24,9
26,7
25,6
25,1
25,4
25,7
25,4
27,4
17,9

Distrito Federal
28,3
26,4
28,1
31,1
26,1
26,0
24,2
25,7
24,1
22,7
24,8
-12,2

Goiás
27,1
26,2
29,3
26,6
29,3
27,1
24,4
24,6
27,6
28,6
30,3
11,6

Mato Grosso
29,8
28,4
33,9
28,3
34,4
31,2
30,3
31,2
35,5
37,2
35,9
20,3

Mato Grosso do Sul
19,3
23,9
29,2
27,7
31,8
32,6
29,9
29,8
30,5
29,7
32,1
66,5

Centro-Oeste
26,5
26,3
30,1
28,0
30,3
28,8
26,6
27,1
29,1
29,6
30,8
16,2

Brasil
17,1
17,7
18,8
18,7
19,6
19,5
19,5
19,8
20,2
19,8
21,5
25,8

Fonte: SIM/SVS/MS * 2010: Dados preliminares. 

Fonte: http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_transito.pdf

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